domingo, 14 de agosto de 2011

Meu Bandido

Chega dessa história de heroísmo! O que contamos, no fim de tudo, foram as incansáveis vezes em que estivemos juntos sem nos policiar. Poucos foram os momentos que esperava-se ver de um pai com sua filha, poucos carinhos e sorrisos - o senhor nunca sorri - amarelados; nem lembro quantas vezes eu o acordei na calada da noite, berrando por sua atenção; não lembro quantos tapas peguei pelas vezes em que fiz tudo o que o senhor disse que não era pra ter feito; nada recordo de quando o senhor me deu um abraço sem eu precisar pedir. Hoje é um dia diferente, um dia em que eu não me importo de ver o senhor jogado no sofá da sala assistindo - dormindo - o seu futebol; não me importo se o senhor brigar comigo por eu não ter pegado sua água gelada no copo de alumínio logo que o senhor pediu; não vou reclamar se o senhor falar que não posso sair de casa justo hoje, no dia dos pais passarem o dia todo deitados e prometo ficar calada quando o senhor disser que não fiz nada o dia todo a não ser ficar "nessa porcaria de computador"! Hoje o senhor pode passar o dia todo reclamando de tudo e colocar meu nome no meio, juro que vou ficar quieta; não prometo mais nada se os palavrões começarem a se manifestar. Que neste dia, mesmo que meu abraço ao acordar depois de uma noitada de festa não tenha demonstrado, o senhor possa sentir o quanto que o amo por tudo de maravilhoso que contribuiu na minha vida, a começar por meu nascimento; que eu sempre possa estar junto do senhor em momentos difíceis ou não e que toda e qualquer situação possa ser segurada por mim, já que meu malfeitor está prestes a aposentar-se de suas peripécias. Agradeço-o por tudo, sem esquecer nenhum dos detalhes irritantes das vezes em que lhe deixei irritado; e agradeço-o por me deixar fazer parte da sua vida de uma maneira que nem o senhor é capaz de explicar. Eu te amo, meu pai.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens populares