quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Rosas

Embora eu desejasse cada pedaço de um coração, detestaria qualquer momento em que eu estivesse amando sem ser amada. Encontrá-lo diversas vezes já não era tão esperado, visto que passei muito tempo esperando por ele; entenderia ele que não nos pertencemos mais? Aceitaria eu não o ter para mim? Difícil possa ser deixá-lo partir já que, por muito, pretendo deixá-lo ficar; das rosas que recebi e deixei viver, ergui vasos coloridos de cinzas rosas mortas; noites mal dormidas pela insônia de esperar ele chegar, dias escuros e de muito sono nas brigas em que abri a porta para ele sair. Não o quero mais como queria, e desejaria nunca tê-lo deixado morrer dentro de mim. Embora eu não mais o tenha visto, eu me escondo quando acho tê-lo encontrado; enquanto aqui me desmancho por não saber se desejo e desgosto são aliados, ali o deixo sozinho na certeza de que nunca o amei como o detestei em toda a minha vida.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Amar é...


Amar nunca será aquilo que queremos que seja, nem tampouco nos dará o que queremos ter; sabemos que AMAR É ter num alguém algo diferente do que sempre procuramos. Amar, talvez, não seja fácil, pode até ser mais difícil do que se imagina; sabemos que AMAR É fazer com que cada situação difícil se torne um mínimo grão de areia. Amar pode ser algo que não sintamos por um bom tempo, tempo indeterminado até; sabemos que AMAR É não deixar o tempo passar sem que tenhamos feito algo de útil. Amar rapidamente um certo ser, não quer dizer que podemos amar qualquer um; sabemos que AMAR É sentir, inesperadamente, que podemos ser amados também. Amar, muitas vezes, pode um sentimento que nos trará muita dor; sabemos que AMAR É encarar os problemas já vividos com o sentimento acima da dor sentida. Amar as pessoas que mais nos fazem felizes pode não ser o mesmo que amar um certo alguém; sabemos que AMAR É fazer os outros entenderem, da melhor forma possível, que não os amamos com mesma intensidade. Amar não é aceitar tudo do jeito que nos é imposto a contragosto; sabemos que AMAR É fazer do autocontrole um desafio extremamente desesperador. Pode ser que amar nem seja tão claramente intenso quanto o próprio nome; sabemos que AMAR É tentar fazer a relação ficar mais intensa a cada amanhecer. Então, amar não é nada do que esperamos, nem nada do que de surpresa nos for dado; se soubéssemos o que AMAR É, não estaríamos dispostos a amar incansáveis vezes.

domingo, 14 de agosto de 2011

Meu Bandido

Chega dessa história de heroísmo! O que contamos, no fim de tudo, foram as incansáveis vezes em que estivemos juntos sem nos policiar. Poucos foram os momentos que esperava-se ver de um pai com sua filha, poucos carinhos e sorrisos - o senhor nunca sorri - amarelados; nem lembro quantas vezes eu o acordei na calada da noite, berrando por sua atenção; não lembro quantos tapas peguei pelas vezes em que fiz tudo o que o senhor disse que não era pra ter feito; nada recordo de quando o senhor me deu um abraço sem eu precisar pedir. Hoje é um dia diferente, um dia em que eu não me importo de ver o senhor jogado no sofá da sala assistindo - dormindo - o seu futebol; não me importo se o senhor brigar comigo por eu não ter pegado sua água gelada no copo de alumínio logo que o senhor pediu; não vou reclamar se o senhor falar que não posso sair de casa justo hoje, no dia dos pais passarem o dia todo deitados e prometo ficar calada quando o senhor disser que não fiz nada o dia todo a não ser ficar "nessa porcaria de computador"! Hoje o senhor pode passar o dia todo reclamando de tudo e colocar meu nome no meio, juro que vou ficar quieta; não prometo mais nada se os palavrões começarem a se manifestar. Que neste dia, mesmo que meu abraço ao acordar depois de uma noitada de festa não tenha demonstrado, o senhor possa sentir o quanto que o amo por tudo de maravilhoso que contribuiu na minha vida, a começar por meu nascimento; que eu sempre possa estar junto do senhor em momentos difíceis ou não e que toda e qualquer situação possa ser segurada por mim, já que meu malfeitor está prestes a aposentar-se de suas peripécias. Agradeço-o por tudo, sem esquecer nenhum dos detalhes irritantes das vezes em que lhe deixei irritado; e agradeço-o por me deixar fazer parte da sua vida de uma maneira que nem o senhor é capaz de explicar. Eu te amo, meu pai.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Transceder

Um golpe certeiro, e ali ela se despedia. A força da pancada foi a mais insignificante já esperada, ridícula forma de dizer "adeus"! Dois passos e o chão a segurou; de braços abertos, pernas inquietas, olhos fechados e com pouco ar, ela tossia. Vozes irreconhecíveis e vozes que ela não poderia esquecer, seriam as últimas a serem ouvidas. Seu peito não permitia a entrada de novos ares por mais força que ela fizesse; já não tinha mais idéias de como escapar, seu cérebro estava morrendo! Muitos estavam ao seu redor, nenhum deles era o amor da vida dela, mas todos passaram a ter muito mais importância. Era possível ouvir o desespero dos que estavam metros a fio perguntando se ela estava bem; naquele momento só haveria possibilidades de piorar. Chorava por não poder respondê-los que ela os ouvia, que podia senti-los por perto. E ela já não estava no mesmo local, levaram-na à salvação clínica como forma de fazê-la melhorar. Muitos ainda estavam ao seu lado, segurando-lhe a mão, dizendo-lhe que "estavam lá" e que "não iriam abandoná-la"; tossindo, ela concordava sem poder falar ou se mexer. Num susto, seu coração foi parando, sua tosse cessando, não respirou mais o pouco que conseguia e, então, dormiu. Em poucos segundos voltou e, ainda de olhos fechados procurando por ar, percebeu o clima que havia deixado; pessoas já lamentavam, erroneamente, a perda. Recuperando-se aos poucos, abriu os olhos e, fitando o teto, sentiu o cheiro do ar que por breves horas ela ansiava. Ideias organizavam-se; na lentidão que ficou seu organismo, ela se perguntava do porque que ele estava lá mesmo que nem nela ela pudesse pensar. Voltou a chorar e, novamente, foi desfalecendo. Era ele quem a estava matando! Já não se importou se precisaria partir, a dor ao perdê-lo foi muito maior; num vago pensamento, acumulou toda a coragem que tinha, segurou todo o ar que podia e ali, sem mais delongas, decidiu e concluiu sem dor que já estava na hora de dormir por amor.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mickey, olhos verdes

Olhar aqueles olhos verdes, senti-los me fitando e só ter o poder de desviar o olhar; nada mais humilhante do que não ser capaz de se humilhar a fim de fazê-lo me notar. Não é difícil balbuciar palavras mesmo que minha voz esteja trêmula, mas perco-me quando ele está muito próximo; minha única ação é olhá-lo e pensar incansáveis vezes "respire; não fique tonta; não caia"! Como ele pode me tirar as forças sem, ao menos, me tocar? Como pode me arrancar o ar sem me roubar um beijo? O que me agonia mais é que não sei o porquê dele ser tão misterioso. Não sei o que come, o que gosta de ouvir, onde gosta de estar, como é sua voz, o seu cheiro; qual é o nome dele? Aqueles olhos são os únicos que não me fazem piscar os meus; talvez eles saibam que eu sofreria se perdesse qualquer segundo sem poder fitá-los de volta. Chego a imaginar-nos em situações impossíveis; a mais improvável delas, é estar falando com ele. Como explicar que acho que perdi um dia todo se eu não o tiver visto? Como começar a procurá-lo? Mesmo dizendo coisas que acontecem com todo o mundo, nunca alguém saberá o que sinto quando o vejo sorrindo! Ilusório seria acreditar que, um dia, ele sorrirá para mim; que, um dia, poderei saber se ele está ou não por perto só ao reconhecer sua voz; ou entender, de uma vez por todas, que de nada adianta sonhar mais com aqueles olhos, se o verde deles jamais poderá me enxergar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Reciprocidade

Ele era a minha melhor forma de "vida", a pessoa que eu mais zelava neste mundo, e ele me deixou! Não houve explicação, qualquer palavra que saía dos lábios dele eu não era capaz de entender, sem perceber, deixei a dúvida transparecer em meu rosto. Amava-me de um jeito que eu gostava, eu estava feliz, mas ele não estava. Naquela noite de Outubro eu não esperava mais nada pior, aquilo acabou comigo naquele instante e de nada adiantaria falar alguma coisa. Aceitei ser amiga dele, amiga dos amigos dele e amiga da garota que ele amava mais do que a mim! Chorei em todos os momentos em que aquele pensamento parava em minha cabeça; tentando esquecer,eu sorri, cantei e dancei, mas por dentro eu já havia morrido. E hoje eu sofro por amá-lo como uma pessoa que faz a minha "melhor pessoa", feliz. O fato de não estarmos juntos não me incomoda, já que pouco estivemos, é o fato da situação estar do jeito que está que está me matando aos poucos. Eu amo-o de um jeito que nunca amei alguém, de um jeito que não passa, de um jeito que me faz chorar e de um jeito que me faz ter algo que nunca tive na vida: esperança. O que ele sentia por mim era carnal e ele não sabia, as palavras dele provavam isso, mas elas também provavam o quanto ele gostava de estar perto de mim, o quanto gostava dos meus carinhos, dos meus beijos, de mim; nem por perto ele está, se chegar a ficar é porque nossos amigos estarão perto também... É como se ele tivesse medo de eu atacá-lo, eu quero muito isso, mas o respeito o suficiente para conter os meus desejos. Tento chorar e nem caem pingos, aparentemente, minha fonte de lágrimas secou; reconheço meu desespero em, agora, trocar carinhos com outras criaturas, por ser recíproco; infelizmente, reconheço, também, que quem me faz infeliz pro meu bem, é competente o suficiente para fazer com que essa fonte se encha de novo.

domingo, 7 de agosto de 2011

Happily Ever After


De hora em hora, me pego pensando nas coisas que já tive: brinquedos, bonecas e sapatos, me pego imaginando se sentiria falta disso como sinto das pessoas que perdi. Acho que deveria ser impossível perdermos aqueles que tanto nos preocupamos em conservar, são baseados em amor, não? Ouvi uma vez que "não passamos de meros mortais", se isso quer dizer que o amor morre conosco eu não sei, mas acredito que seja verdade. Quem escapa da morte perde a grande chance de fazer seus amores eternos, muito sombrio, mas essa é a forma mais bonita de realizar um "felizes para sempre" com cabeça erguida e nas nuvens! De acordo com animações infantis, até os ogros mais sujos e feios têm coração para bater e sentimentos para sustentar as batidas, então já não importa o quão ogro nós sejamos. Acho também que não se deve pensar muito no futuro e nem se prender tanto no passado, mas cair de cabeça no que acontece agora, no que, às vezes, infelizmente, é o real.

sábado, 6 de agosto de 2011

Mudar

Tantas vezes, se não o tempo todo, ela me parece muito estranha; não sei se devo falar-lhe a respeito ou, simplesmente, fingir que nem amigos chegamos a ser. Não é nada fácil olhar o rosto dela, qual amo, e fazer de conta que não está acontecendo nada ou dizer que está tudo bem. Ela tem uma mania ridícula de achar que tudo não passa de uma má impressão que vem sempre a partir de mim; já virou costume ela falar com todas as letras que a culpa dela ter aparecido ou não na minha vida, foi minha. Qual dificuldade há em dizer que os erros estão sempre nas costas dos outros? Lembro de inúmeras vezes ter parado pra pensar no por que de ter começado tudo; e lembro, também, das recentes vezes em que evitei estar em certos lugares só para não encontrá-la. Dói gostar dela, já que não gosta o mesmo tanto que eu, mas dói muito mais ouvi-la dizer, inesperadamente, que está com saudades. Não só por vir, justamente, dela, mas também porque eu sempre saberei que poderá ser mentira.
Ano após ano, as coisas, e ela, mudaram; e essa mudança não quis ser para melhor! De repente a amizade não foi mais a mesma, o sentimento confundia-se, as declarações esvaiam-se e o amor morreu. A mudança nunca será para melhor, nunca vamos melhorar se não mudarmos e mudar de opinião é mais fácil do que se imagina. De nada adiantou lutar para fazê-la me notar se nem mesmo ela se percebeu em algum momento; mas as coisas mudaram e, mesmo não tendo sido para melhor, elas mudaram para o meu bem.


Confuso

Alguma vez você já se sentiu desnorteado? Na verdade, não sei se o que sinto é sentir-se perdido ou confuso; não sei o que tenho, mas sei que não estou nada bem. Tudo caminha perfeitamente bem e, do nada, as ideias confundem-se; não por sentimento, mas com certo desejo de me deixar acabado. Parece-me que meu corpo tem mania de não me deixar fazer o que quero e um bocado de descontrole em realizar o que não quero; é como se ele ficasse muito melhor com anarquias do que com amor, que é o que põe ele no lugar. Não respondo mais por quem me deixa confortável e alinhado, no eixo; meu corpo se perdeu junto a tudo o que eu achava que sentia, em tudo o que eu acreditava. Meu corpo não é mais meu desde que fui, novamente, abandonado; desde que fui usado por quem tanto me dediquei... Afinal, nada é mais fácil do que se deixar levar, do que aceitar situações só porque alguém que se gosta muito quer. Sou um tanto complicado, um quanto atrapalhado, mas nada se compara com o desestabilizador que fica meu coração quando resolve perdoar a fim de manter tal amor demasiado forte e no mesmo lugar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Galinha Preta

Há momentos na vida de uma pessoa em que tudo parece se dividir; de um dia para o outro os amigos não são mais os mesmos, as vontades não são mais as mesmas e tudo de bom que poderia se estar vivendo não se vive mais com a mesma intensidade. A culpa de tudo estar do jeito que está é nossa e de mais ninguém, ela é ampla e, se um não é o condenado, os dois são.
Perda de tempo é acreditar que tudo permanecerá lindo e perfeito do jeito que era de costume; aliás, acostumar-se com tudo faz parte do conjunto que forma o sentimento. Quem nunca aceitou toda e qualquer situação por que alguém pediu, não sabe o que é gostar de alguém! Sempre terá aquela pessoa que vai tentar, até com magia negra, separar os laços de uma grande amizade e, se for amizade mesmo, nem o mais perverso mestre dos magos irá conseguir tal façanha.
A questão já não é ser esperto, é ser UNIDO; pessoas más são solitárias até quando se juntam para acabar com algo de suma importância, e ser solitário é o mesmo que nada. Portanto, devemos nos manter seguros quando exposto for que o bem sempre prevalece; não só porque é a coisa certa, mas porque temos muito mais certeza de que jamais estaremos sozinhos.

Postagens populares