segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cansaço


Imagina uma menina apaixonada arranjando seu primeiro namorado, meu desejo tomava conta do meu corpo e do corpo que pertencia a mim; enquanto os olhos dele diziam "você me faz muito bem", os meus só tinham o poder de suspirar. Fomos felizes até o dia em que nossos encontros pararam de ser virtuais; marcamos de nos ver num lugar em que ambos gostávamos; vimo-nos, ele sorria e eu mal respirava. Rapidamente viu-se que quem ainda estava naquela relação era, tão somente, eu; tanto chorei nos braços das madrugadas, até o dia em que diferenciei amor e solidão. As conversas cessaram, os olhos piscaram, bebidas rolaram, mas nada do sofrimento parar; o tempo passou e acabamos por nos encontrar, nossos amigos eram os mesmos, grandes amigos. Ele me olhou e disse que "estava com saudades, você está linda!", sem hesitar respondi-lhe "pois é, você sumiu", sim, eu havia esquecido dele, dos seus lábios, do seu cheiro, sua voz... Imaginei-me como uma criança que, se pudesse, mostraria-lhe língua ao invés de gritar que CANSEI! É, cansei dele e das promessas que ambos fizemos um ao outro no tanto que achamos que nos conhecíamos; se o amor morreu eu não sei, agora eu vou fazer do meu jeito; a questão não é, simplesmente, abandoná-lo, é, apenas, apagá-lo de minhas esperanças; já desisti de esperar por algo bom agora que sei que nada de bom ele é capaz de fazer. E eu vou dançar, jogar pesado, e realizar muitas das coisas que não fiz porque perdi muito do meu tempo pensando nele; eu já não sofro, eu lamento.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Escolhas

Depois que resolvi olhar pela janela do escritório, nesta tarde de terça, percebi que estava tarde; havia me perdido por entre os papéis que li e reli não sei quantas vezes, só pra ter certeza de que meu tempo não estava, de todo, desperdiçado. Não era de me atrasar nas "peladas" marcadas toda a semana com os amigos da época de colégio, hoje não seria diferente; levantei-me pegando o que me acompanharia até minha casa como chave do carro, celular e o resto do café que não me fez tirar o cochilo da tarde em cima dos papéis.
Não sei o que me deu quando, ao invés de entrar no carro, fitei o vazio e escolhi ir andando pra casa; hoje estava sendo diferente. Um, dois, seis relâmpagos seguidos, e o vento frio trouxe uma chuva onde os pingos faziam minha pele arder; virando a esquina do segundo quarteirão, senti um cheiro oposto ao de terra molhada... Era ela, não sabia quem, mas sabia que só podia ser ela! Pisquei duas vezes no mesmo instante em que não dei mais passo algum; estávamos parados, nós dois, sem dizer absolutamente nada. Respirei fundo e mais próximo dela, fiquei; ela balbuciou palavras como "sei que te conheço sem saber de onde", e eu gaguejei outras como "sei que és minha sem saber por que". Meu celular berrava por minha atenção, provavelmente os amigos me chamando para a "pelada"; ao invés de atendê-lo, encostei minhas mãos cálidas na bela palma da mão quente que ela tinha, aproximei meu rosto do dela e, sem hesitar, ela correspondeu quando rocei meus lábios nos dela.
Mas não, no instante piscado após ficar minutos a fio parado, olhando pra ela, entrei no carro de um amigo que achou minha demora estranha demais; não tive todas aquelas sensações alucinantes ali, naquela hora, pois passou-me pela mente a ideia de que ela poderia não ser mais ela muito depressa; hoje poderia ter sido diferente.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Meio Capítulo

Era o mais belo final de tarde que eu presenciara em toda a minha vida; na intimidade, percebi o sol se escondendo por detrás das nuvens antes mesmo do toque de recolher, eram nuvens carregadas de chuva. Corri para livrar-me das gotas vindas do céu e do vento frio que me cercava; protegida pelo telhado de um enorme saguão, percebi pessoas ao meu redor aproximando-se de mim... Pessoas que, por muito, eu conhecia e as que eu ainda conheceria: meus velhos e novos colegas de classe!
Era o começo de uma vida diferente, afinal, a faculdade seria uma etapa a frente que eu teria de enfrentar; para um primeiro dia, não seria normal não ficar o tempo todo falando das férias com aqueles que passaram as férias comigo. Um vento forte soprou no meu ouvido - só eu devia ter notado - num instante, me distraí; foi quando o vi chegar ao saguão, saltava entre as poças de lama de um jeito que parecia flutuar. Sem conseguir piscar, detalhei cada movimento que ele fazia enquanto livrava-se dos pingos que o incomodavam; ninguém, além de mim, havia percebido que eu havia me desligado do mundo, foi aí que ele parou o olhar dele nos meus olhos aflitos.





O mundo havia parado junto com o momento, mas, se eu tivesse o poder em mãos, aproximar-me-ia dele só para sentir seu cheiro! Foi o mais belo começo de noite em que eu fazia parte em toda a minha vida; deslealmente, ele me deu as costas e foi embora... As pessoas voltavam a andar, o barulho delas querendo me enturmar havia se manifestado e, ali, percebi que havia começado o primeiro capítulo de um enorme ENCANTO, traçado por um "era uma vez" que se estendia até um "felizes para sempre".

Postagens populares