Hoje o dia amanheceu digno de lembranças, daquelas que nos deixam nostálgicos por muitas e estáticas horas; hoje amanheceu chovendo. Não uma chuva de instante, mas uma chuva de inverno, do inverno do meu Pará! O dia está com cara de fazenda, de sítio; o cheiro da terra molhada me traz lembranças limpas do repartimento, da passagem do gado, dos peões bagunçando meu cabelo e me chamando de 'baixinha'. De ir dormir às oito da noite, porque a mata é boa pra se conseguir descanso, e de acordar às seis da matina, pois o galo gosta de trabalhar ao nascer o sol. Lembro que minha primeira tarefa do dia era ver meu pai na ordenha; laçava e amarrava a vaca, mantinha o bezerro por perto e, na úbere, garantia nossa primeira refeição do dia. Não era sempre o galo o primeiro a me acordar, o frio que fazia na mata era de rachar os dentes; dormía de meia, calça e agasalho de algodão, o mais grosso que poderia vender na cidade; o dessa manhã não rachou nada, mas deu um aperto no peito ao sentir, um pouco, tudo o que eu sentia antes. Cada rez nascida num ano, era a alegria estampada no rosto dos que participavam da ferra do gado no mês de julho; a ferra era só mais um motivo de reunir os amigos e familiares numa brincadeira que envolvia trabalho sério e árduo ao sol fervente. O que para alguns é monótono, para mim é uma forma boa de se viver; que a chuva caia devagar ou que o friozinho permaneça, o tempo passa muito rápido e as próximas cavalgadas nunca mais serão as mesmas!segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Povo marcado, povo feliz!
Hoje o dia amanheceu digno de lembranças, daquelas que nos deixam nostálgicos por muitas e estáticas horas; hoje amanheceu chovendo. Não uma chuva de instante, mas uma chuva de inverno, do inverno do meu Pará! O dia está com cara de fazenda, de sítio; o cheiro da terra molhada me traz lembranças limpas do repartimento, da passagem do gado, dos peões bagunçando meu cabelo e me chamando de 'baixinha'. De ir dormir às oito da noite, porque a mata é boa pra se conseguir descanso, e de acordar às seis da matina, pois o galo gosta de trabalhar ao nascer o sol. Lembro que minha primeira tarefa do dia era ver meu pai na ordenha; laçava e amarrava a vaca, mantinha o bezerro por perto e, na úbere, garantia nossa primeira refeição do dia. Não era sempre o galo o primeiro a me acordar, o frio que fazia na mata era de rachar os dentes; dormía de meia, calça e agasalho de algodão, o mais grosso que poderia vender na cidade; o dessa manhã não rachou nada, mas deu um aperto no peito ao sentir, um pouco, tudo o que eu sentia antes. Cada rez nascida num ano, era a alegria estampada no rosto dos que participavam da ferra do gado no mês de julho; a ferra era só mais um motivo de reunir os amigos e familiares numa brincadeira que envolvia trabalho sério e árduo ao sol fervente. O que para alguns é monótono, para mim é uma forma boa de se viver; que a chuva caia devagar ou que o friozinho permaneça, o tempo passa muito rápido e as próximas cavalgadas nunca mais serão as mesmas!
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