Um dia tu acordas te dando conta de que não há mais para onde ir, que não há mais o que fazer e que não há mais ninguém para te acolher. Tu te levantas e percebes que não existem mais motivos para olhar o nascer do sol se não houver alguém ao teu lado para ficar, de boca aberta, admirando-o. Que não há mais o que esperar da força do vento já que, muitas vezes, ele te traz até o que tu não queres. Tu perdes a noção quando nem mais enxergas tua chance de escapares do mundo aterrador, quando não exergas nada à frente, quando nem percebes mais que tens asas. Às vezes tu lutas para não compreender tudo o que está em tua frente; talvez por teimosia ou, simplesmente, por não querer ficar cara a cara com a verdade. Tu tentas correr, mas tuas pernas não te suportam; desejas gritar, mas tua voz se perde na tentativa; tentas de tudo possível com esperança de que tudo irá se ajeitar, que tudo poderá mudar e que teus momentos de desencontro com a fé irão sessar... Não importa o que tu faças, se o esforço é grande ou não, tu vais te desempenhar a tentar, com a certeza de que bastar-se-á no "tentar".
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Poema
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás"
Cazuza
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Não para, não, não para
Não há algo mais irritante de se ouvir, do que o tique taque de um relógio! Não sei dizer se é por conta dos ponteiros movimentarem-se incansavelmente de forma horária, ou se é porque tenho certeza de que isso nunca terminará. De Onenx à Rolex, as posições dos números são as mesmas, ou seja, uma hora irão sincronizar-se e ninguém irá perceber; irritante também é ver que vivo preocupado com a hora, em saber quantos minutos faltam para chegar tal ora, ou quantos segundos passaram depois de ter chegado a algum lugar.
Vida acaba sendo todo o tempo que eu levo contando a alguém que, no fim, eu sempre estou atrasado; que não importa quantos minutos a menos eu levo me arrumando se o ônibus que eu espero demora mais a passar, que eu saia mais cedo do trabalho se vou precisar passar em outro local antes de almoçar com minha esposa, ou que eu compre o almoço mais cedo se acabo por perder o começo daquele meu futebol do final de semana que tiro pra descansar.
Acabo vendo, no decorrer de tantos horários desfeitos e perdidos - às vezes, até, acrescentados -, que minha vida caminha como um ponteiro que, horariamente, tique taqueia numa rotina humilhante e decadente de perda de tempo.
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