quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mickey, olhos verdes

Olhar aqueles olhos verdes, senti-los me fitando e só ter o poder de desviar o olhar; nada mais humilhante do que não ser capaz de se humilhar a fim de fazê-lo me notar. Não é difícil balbuciar palavras mesmo que minha voz esteja trêmula, mas perco-me quando ele está muito próximo; minha única ação é olhá-lo e pensar incansáveis vezes "respire; não fique tonta; não caia"! Como ele pode me tirar as forças sem, ao menos, me tocar? Como pode me arrancar o ar sem me roubar um beijo? O que me agonia mais é que não sei o porquê dele ser tão misterioso. Não sei o que come, o que gosta de ouvir, onde gosta de estar, como é sua voz, o seu cheiro; qual é o nome dele? Aqueles olhos são os únicos que não me fazem piscar os meus; talvez eles saibam que eu sofreria se perdesse qualquer segundo sem poder fitá-los de volta. Chego a imaginar-nos em situações impossíveis; a mais improvável delas, é estar falando com ele. Como explicar que acho que perdi um dia todo se eu não o tiver visto? Como começar a procurá-lo? Mesmo dizendo coisas que acontecem com todo o mundo, nunca alguém saberá o que sinto quando o vejo sorrindo! Ilusório seria acreditar que, um dia, ele sorrirá para mim; que, um dia, poderei saber se ele está ou não por perto só ao reconhecer sua voz; ou entender, de uma vez por todas, que de nada adianta sonhar mais com aqueles olhos, se o verde deles jamais poderá me enxergar.

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